Tempo de estar nas cordas e tempo de atacar

Comportamento

Ricardo da Costa

Publicado em 31/03/2020

A luta parecia perdida. Muhammad Ali (1942-2016) era impiedosamente agredido. Os socos eram desferidos em todas as partes de seu corpo. George Foreman (1949-), ademais, era bem mais jovem (25)! Ali tinha 32. Ficou a maior parte do tempo nas cordas, apenas se defendendo. A cada soar do gongo, eu pensava: “No próximo round, ele vai cair”. Mas não caía. E continuava apanhando. Era uma surra transmitida para todo o mundo! Soco após soco, custava a crer que alguém pudesse resistir àquele massacre.

No último round, repito, no último, e faltando segundos para a luta ser encerrada, a surpresa. Já esgotado de tanto bater, com os braços pesados, Foreman cedeu. Foi quando Ali finalmente atacou. E de modo incisivo. Em uma sequência impressionante de golpes, Ali acertou um bem no queixo do jovem adversário. Lona. Muhammad Ali era novamente campeão do mundo, dez anos após ter perdido o título.

Assisti a esse épico ao vivo, pela televisão. Tinha 11 anos. Nunca esqueci a moral dessa história: atacar sempre esgota. Fragiliza. E perde-se a guerra, ainda que batalhas sejam vencidas. Mas batalhas são momentâneas; uma guerra, para a eternidade. Depois, já estudante de História, aprendi que o Império Romano se tornara um império graças à tática de seu exército: a defesa. Sempre na defensiva, à espera dos inimigos. Júlio César (100-44 a. C.) conquistou a Gália (França) assim. Dez anos de guerras defensivas.

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