A Guerra Cultural e seus provérbios

Cultural

Ricardo da Costa

Publicado em 17/03/2020

“Brasileiro tem que matar um leão por dia”, diz nosso provérbio. Além disso, o bom-senso nos ensinou que a vida é uma batalha diária, uma luta pelo suado pão de cada dia. Desde a Bíblia: “A cada dia basta o seu mal” (Mt 6, 34). Há, naturalmente, distintos combates, inimigos de várias naturezas, escaramuças, armadilhas. “O valor de um homem mede-se por seus inimigos”, outro sábio provérbio que dignifica o bom combate. Ah, não nos esqueçamos do mais famoso: “Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé” (2Tm 4-7).

Assim, está claro que não devemos nos omitir. Nunca. Pois não há nada mais desprezível que o covarde: “conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente; quem dera foras frio ou quente! Assim, porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca” (Ap 3, 15-16). Por isso, Dante Alighieri colocou os ignavos na entrada do Inferno.

Por que na entrada? Explico. Logo que chegou às portas do Inferno (lugar sem estrelas no céu), Virgílio e Dante se encontram com uma multidão de covardes. Gritavam, suspiravam, choravam. Bradavam suas mágoas. Arrependidos, amargavam sua covardia. “Questo misero modo / tegnon l'anime triste di coloro / che visser sanza ‘nfamia e sanza lodo” – Neste miserável estado estão as tristes almas daqueles que viveram sem infâmia e sem louvor (Canto III, 34-36).

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