A Síndrome de Davi e Golias

Comportamento

Ricardo Roveran

Publicado em 17/03/2020

O discurso revolucionário é um veneno cuja cura é quase impossível de se localizar com precisão. Ele se apresenta como uma luta na qual o pobre enfrenta o rico com as poucas armas que possui: um chinelo de dedos, uma calça batida e uma camisa furada. Sem saber ler ou escrever, sem banho e modos à mesa, como uma vítima sob todas as formas possíveis com que combate um inimigo que é, ao mesmo tempo, concreto e abstrato: o sistema capitalista.

O jovem recebe o romantismo marxista com simplismo, foco e paixão. E então, uma causa para a vida lhe é fornecida. Lutar pelos mais pobres, pelos desafortunados, pelos desprivilegiados que estão em oposição àqueles outros cidadãos, que apenas se importam consigo, que moram num belo condomínio e se preocupam com a economia, com lucrar, comprar móveis, imóveis e automóveis. Usufruir a própria vida com esmero e prazer. Esses malditos egoístas que, por alguma razão nublada, são os culpados pelos infelizes não atingirem o ápice de sua existência.

É o Davi do velho testamento da Bíblia Sagrada enfrentando Golias, o malvado capitalista. A paixão consome a mente do jovem e ele se torna socialista. É algo que se introduz de forma quase irreversível na personalidade. O mundo passa a ser visto pelo espelho apaixonado da luta de classes. E lá se vai mais um campeão da justiça social, lutando aqui e acolá, na escola, no ponto de ônibus, no açougue, na quitanda, no mercado e na padaria. Tudo para convencer os demais de que com um pouco de boa vontade o mundo pode mudar e todos cantarão Imagine, do John Lennon, juntos, abraçados, soltando pombos brancos todos os dias, em uma perpétua paz.

Conteúdo exclusivo para assinantes

Para continuar lendo e ter acesso a esse conteúdo exclusivo, assine clicando abaixo.

Assinar